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Associação
de Judô Nelson Morimoto
CREF 124-E/SP
Apostila de Judô
1.1
- O JUDÔ
O
treinamento de JUDÔ, não requer apenas o aprimoramento
de técnicas bonitas e eficazes nas grandes competições.
Envolve principalmente a formação espiritual
do judoca, e esta preparação, que em hipótese
alguma deve se separar da preparação técnica,
e a soma desses dois fatores é que faz o verdadeiro
judoca enfrentar com garra, tenacidade, lealdade, honestidade
e bom senso todos os tipos de competições, dentro
e fora do tatâmi. Isso fica bem caracterizado nas palavras
do mestre JIGORO KANO, na sua definição
do propósito da disciplina do JUDÔ: "O JUDÔ
é o caminho, para a mais eficiente utilização
da força física e espiritual, pelo seu treinamento
de ataque e defesa, educa-se o corpo e o espírito.
Tornando a essência espiritual do JUDÔ, uma parte
do próprio ser. Desta forma será capaz de aperfeiçoar
a si mesmo e contribuir com algo para valorizar o mundo, essa
é a meta final da disciplina do JUDÔ."
Isto é o que realça a verdadeira beleza e reveste
de valor o JUDÔ como educação. Infelizmente
essa formação espiritual, que deve ser intrínseca
no treinamento do judoca, não tomou parte do processo
de evolução, pelo contrário, ficou retraída
e em alguns casos até mesmo esquecida.
A partir dos objetivos citados pelo mestre JIGORO KANO, podemos
sentir que algo mais profundo, que a simples arte de ataque
e defesa, envolve o treinamento do JUDÔ, maneira pela
qual penetramos na verdadeira essência dos ensinamentos
do JUDÔ.
O JUDÔ, é filosofia de vida, e é obrigação
dos mais experientes e especialmente daquele que assume o
papel de professor, transmitir a todos que desejam trilhar
nesse caminho.
Assim, não é correto pensar no JUDÔ, como
uma simples arma de defesa pessoal ou puramente como um esporte
de ganhar competições, mas acima de tudo como
uma maneira de viver. É natural, que se pararmos para
meditar, acabaremos comparando cada ato praticado dentro do
tatâmi, no treinamento do JUDÔ, com um procedimento
de nossa vida.
O praticante do JUDÔ, não deve ser, apenas um
competidor ou bom esportista, mas necessita absorver o conteúdo
filosófico do JUDÔ, e utilizá-lo na prática
para atingir a condição de verdadeiro JUDOCA.
Deve entender que seguir o CAMINHO DA SUAVIDADE, é
aprender a aceitar com naturalidade os fatores que facilitam
e dificultam a nossa vida.
1.2
- CEDER PARA VENCER
É aprender a respeitar o seu semelhante, com o mesmo
respeito e sinceridade que faz a saudação REI
(cumprimento).
É aprender a ser humilde, com a mesma humildade que
se executa os UKEMIS (amortecimento de quedas), caindo para
se levantar.
É aprender a ser perseverante, com a mesma perseverança
que se pratica os UCHIKOMIS (treinamento para aperfeiçoar
as técnicas).
É aprender a ser justo com seus companheiros, com a
mesma justeza necessária que deve ter o seu corpo para
aproveitar o momento exato do KUZUSHI (desequilíbrio)
do oponente.
É aprender a ser firme, com a mesma firmeza de seus
NAGUE-WAZA (técnicas de projeção), para
assumir as responsabilidades que lhe couberem.
É aprender a ser honesto e leal, com a mesma honestidade
e lealdade de quando recebe o KACHI (vitória) no final
de uma luta.
É aprender a ser disciplinado, com a mesma disciplina
que se concentra no momento do MOKUSSÔ (meditação).
É aprender a ser puro, com a mesma pureza que estava
seu espírito quando ouviu pela primeira vez ONEGAI-SHIMASSU
(por favor), dos seus colegas.
Todo judoca, introduzindo no seu íntimo, os completos
ensinamentos do JUDÔ, tem a sua forma de viver diferente,
seja pela autoconfiança que transpira em sua alma,
seja pelo respeito que dispensa as pessoas, seja pela certeza
de estar num mundo bem melhor.
Este aprimoramento do judoca, que não é apenas
físico e técnico, mas que ultrapassa os limites
das palavras e atos materiais, faz com que ele como esportista,
lute pelo seu intento, mas é capaz de aceitar com naturalidade,
que a vitória e a derrota são unicamente, conseqüência
de suas reais condições. Pois se não
fosse assim estaria em desacordo com o princípio da
suavidade.
Estas
bases filosóficas, faz com que o JUDÔ, se caracterize
como um verdadeiro esporte, muito disciplinado e admirado,
no qual o confronto corpo a corpo conduz a um melhor entendimento
entre as pessoas, atingindo assim seus objetivos de sociabilização,
educação e de cultura física para o bem
estar do homem e do mundo.
1.3
- O JUDÔ COMO AGENTE EDUCACIONAL
O JUDÔ não é apenas uma luta desportiva,
ou um sistema invencível de ataque e defesa. Antes
de mais nada é um processo de educar a mente, o corpo
e a moral, portanto é EDUCAÇÃO.
Estão absolutamente errados aqueles que querem através
do JUDÔ, se tornarem apenas valentes campeões,
embora o JUDÔ seja um esporte de luta, seus objetivos
vão muito além da competição,
visa acima de tudo uma formação global do indivíduo
portanto seu objetivo é nobre.
Através do JUDÔ, os educandos podem adquirir
condições suficientes e necessárias para
enfrentar os rigores do dia a dia, com alegria, naturalidade,
disciplina, esforço e coragem. Entre as virtudes sociais
estão a vivacidade, a modéstia, a pontualidade
e a justiça. Juntamente com o progresso técnico
é desenvolvido o sentido de autoconfiança, o
que constitui a base do equilíbrio mental e emocional.
Sendo assim, a prática BEM ORIENTADA do JUDÔ,
proporciona calma, paz de espírito, dignidade, compaixão
e amor ao próximo, condições essenciais
para uma vida próspera e coberta de satisfação.
Ao contrário do que muitos pensam, o aprendizado do
JUDÔ é muito fácil e agradável,
não é necessário possuir condições
físicas excepcionais; por outro lado é imprescindível
ter boa vontade, dedicação, perseverança
e disciplina. Disse bem Koizumi, introdutor do JUDÔ
na Inglaterra, quando afirmou: " O aprendizado do JUDÔ,
quando é realizado por professores dedicados e competentes,
oferece meios para exercitar e recrear a mente e o físico,
cultivando um equilíbrio harmonioso e global para a
saúde da mente e do corpo, estimulando o ser humano
a ser dono de seu próprio corpo, da sua mente e de
suas emoções."
1.4
- O JUDÔ COMO EDUCAÇÃO FÍSICA:
O
JUDÔ como Educação Física deve
ser orientado pelos princípios anátomo-fisiológicos.
Durante a infância, a Educação Física
deve visar o desenvolvimento harmonioso do corpo da criança.
Na fase adulta deve manter e melhorar o funcionamento de todos
os órgãos, assegurando assim uma boa saúde.
A prática da Educação Física deve
ser orientada por exercícios e jogos, levando-se em
conta as limitações de cada aluno, nunca sobrecarregando
de forma exaustiva o organismo, o que poderá acarretar
um prejuízo para o desenvolvimento do aluno.
De um modo geral as aulas devem conter atividades que estimulem
o desenvolvimento cárdio-respiratório, a flexibilidade,
a postura, a destreza e a força muscular.
As atividades devem ser divididas por fases do desenvolvimento
do organismo do aluno, sendo assim divididos em:
Educação Física elementar : destinados
a crianças entre 04 a 13 anos mais ou menos, essas
práticas são desenvolvidas entre ambos os sexos,
onde se visa uma formação global da criança,
não tendo como objetivo principal o treinamento desportivo
ou seja a competição.
Educação Física secundária : compreende
grupos de alunos entre 14 a 18 anos mais ou menos, nesta fase
há uma exigência maior do organismo, pois na
fase da puberdade existe um desenvolvimento maior do corpo,
onde ocorre as mudanças para uma fase adulta, é
onde a Educação Física ajuda no desenvolvimento
global do organismo.
Educação Física superior : nesta fase
entre 18 a 35 anos mais ou menos, é onde vemos o desempenho
do atleta desportivo propriamente dito, onde se tem como objetivo
a pratica do esporte como uma atividade competitiva ou simplesmente
uma atividade de descontração.
Educação Física de conservação
: é a fase após os 35 anos, onde o único
objetivo é a prática de uma atividade física
de relaxamento e descontração.
Os limites acima enquadrados devem ser considerados apenas
como indicativos.
1.5
- A ORIGEM DO JUDÔ:
Os
métodos de ataque e defesa que culminaram na sistematização
das artes marciais, ocorreram somente em sociedades altamente
desenvolvidas, como as antigas nações orientais,
gregas e romanas, mas a gênese deste comportamento,
certamente se encontra nos ancestrais do homem, que andavam
munidos de paus e pedras, para defender a sua integridade
e seu espaço, eram enfim um punhado de briguentos.
Agora, a transformação disso tudo em esporte
é coisa recente. É o caso do Judô que
tem pouco mais de um século. O Judô, é
uma luta que se originou do Ju-jitsu, uma das mais antigas
formas de lutas corporais. Para
conhecermos a história do Judô, é preciso
antes conhecer toda a trajetória do Ju-jitsu, dizem
que tem suas origens a cerca de 2.500 anos atrás, na
Índia, e que é uma conseqüência direta
do advento do budismo.
Segundo
esta tese, ou lenda, os discípulos do príncipe
Sidharta Gautama, o Buda, em suas andanças pela Índia
para a divulgação da religião, volta
e meia se deparavam com bandidos que viviam pelas estradas
do país. Como conciliar o pacifismo do budismo com
a necessidade dos monges de defenderem as suas integridade
físicas dos bandidos? Então debruçados
sobre uma questão pura e simples de sobrevivência,
alguns monges desenvolveram noções de força
e equilíbrio, centro de gravidade e alavancagem, e
consequentemente atingiram uma notável compreensão
do sistema articulatório do corpo humano.
Foi
assim que nasceram os golpes básicos do Ju-jitsu, a
arte suave que os monges, desarmados, se defendiam dos perigos
das estradas. Mais tarde com a divulgação do
budismo para fora da Índia, essa arte se disseminou
por outras regiões como o Tibete, o Ceilão e
a Birmânia, até chegar ao Japão, onde
veio realmente a denominar-se Ju-jitsu.
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